Os melhores filmes malditos de zumbis

Por Edu Reginato

1 – A NOITE DOS MORTOS-VIVOS – filme de George A. Romero – O Clássico dos Clássicos!!! Inovador e realista. Filme de baixíssimo orçamento feito com atores amadores. Usando uma espertíssima crítica social subliminada na trama o filme inovou por ser um ratrato absolutamente negro, triste, realista e sério sobre o tema. Os filmes que completam a trilogia dos mortos são igualmente bons: Dawn of Dead (refilmado como Madrugada dos Mortos) e Dia dos Mortos.

2 – RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS – filme de Stuart Gordon – Um dos mais divertidos e sangrentos filmes de zumbis do cinema. É um filmão absolutamente cult com inacreditável climão gótico e muita escatologia, sangue e sexo. Na época quando exibido causou furor devido a uma cena inusitada: o corpo de um zumbi usa sua cabeça decepada para fazer sexo oral com uma bela e gostosa vítima!!! Parece um filme deplorável, mas não é. Excelentes efeitos de maquiagem e roteiro enxuto, tanto que os excessos ficaram absolutamente plausíveis. E uma dupla de anti-heróis antológica, destaque para o cientista louco interpretado por Jefrey Combs.

3 – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS – filme de Dan O´Bannon – O roteirista do filme Alien – o 8° Passageiro dirigiu essa paródia/homenagem ao filme A Noite dos Mortos Vivos – é como se fosse uma continuação do clássico só que cheia de humor negro. Enorme sucesso na época do lançamento com ótimo roteiro e excelente maquiagem e efeitos especiais. O elenco é cheio de veteranos de filmes de terror. tem uma ótima trilha sonora oitentista com muito punk rock – inclusive uma das ótimas cenas é num cemitério cheio de punks que curtem uma balada e são atacados por zumbis famintos por cérebros humanos: Brains!!! Brains!!! Destaque para o final surpresa!!!

4 – ZOMBIE + THE BEYOND – filmes de Lucio Fulci – As obras máximas de Lucio Fulcio, mestre do terror italiano sobre o tema mortos-vivos. O cinema italiano copiou à exaustão os gêneros western e horror americanos, no entanto, essa cópia resultou num estilo totalmente particular do cinema italiano. O horror e western tinham a estrutura dos filmes americanos só que parava por aí, o resto era puro estilo e imaginação. Os filmes eram sujos, pessimistas, estilosos, edição rápida, maquiagem hiper-realista e muito sangrentos – não davam braços para a censura e chutavam os clichês – não poupavam crianças, velhinhos ou cachorros. No caso de Zombie (que aproveita no título brasileiro a continuação de A Noite dos Mortos-Vivos) a história é banal, mas a realização é primorosa: numa pequena ilha tropical zumbis putrefatos devoram os habitantes locais e um grupo de turistas e cientistas tenta sobreviver. Um cenário caótico e uma insana luta pela sobrevivência. Um obra visceral, muitas vezes copiada. Lucio Fulci era um diretor de filmes de terror gore (segmento do terror com ultra-ultra violência, sexo e sangue). Atenção para a incrível seqüência de luta entre um zumbi e um tubarão. Sim, parece a coisa mais babaca do mundo, mas essa seqüência é incrível e dá um tom ainda mais pessimista pois nenhum lugar é seguro, até no mar os zumbis atacam. Quanto a The Beyond a história é bastante maluca: herdeira de hotel situado na Lousianna reabre prédio que na verdade é uma das 7 portas do inferno antes profetizado por pagão pintor de quadros e por onde serão libertos os mortos-vivos que dominarão a terra trazendo a morte e o “armagedon” à humanidade !!! Quentin Tarantino afirmou numa entrevista que adora esse filme e considera um dos mais assustadores de todos os tempos. Realmente o clima sufocante é quase insuportável e a impressionante maquiagem deixa qualquer um meio zonzo pelo realismo e violência extremos. Uma obra prima para poucos.

5 – FOME ANIMAL – filme de Peter Jackson – Sem dúvida o filme mais sangrento de todos os tempos, porém isso não o impede de ser um dos mais divertidos filmes já feitos sobre o tema mortos-vivos. Peter Jackson, antes de se tornar o Senhor dos Anéis, fazia filmes por diversão com sua turma de amigos da escola de cinema na Nova Zelândia: a turma juntava um dinheiro e juntos criavam tudo, por sinal o copião do filme foi editado em cima da mesa da cozinha da mãe de Peter. Essa turma era o embrião da WETA, empresa de efeitos especiais de Peter Jackson que revoluciou a indústria com os efeitos de O Senhor dos Anéis. A história é um primor e acredito que foi criada por Peter e seus amigos durante uma bebedeira num pub da Nova Zelândia, só pode ser, vejam só: primata raro capturado na África é exibido num zoológico, no entanto o que ninguém sabe é que sua mordida causa uma contaminação que zumbifica as pessoas e as transforma em ferozes canibais putrefatos. A primeira a ser zumbificada é uma velha sádica e autoritária que tem um filho meio bocó; ele é o herói que vai livrar a cidade da infestação de zumbis ajudado por uma bela latina e um contador de gramas. Isso mesmo, um cortador de gramas!!!! E dá lhe sangue e tripas!!! E muita comédia: sacadas geniais como o padre mestre em kung-fu “I kick ass for the Lord!”; a fuga homenageando 007 que o herói corre por cima de corpos amontoados (cena copiada do filme 007 Viva e Deixe Morrer em que 007 foge correndo por cima de uma fileira de crocodilos); o hilário nenê zumbi e o nojento final literalmente edipiano. A maquiagem e os efeitos são um caso a parte impressionante contando que o filme é uma produção de baixíssimo orçamento. Uma verdadeira obra-prima.

6 – A MORTE DO DEMÔNIO + UMA NOITE ALUCINANTE – filmes de Sam Raimi – O filme A Morte do Demônio ressuscitou o gênero terror nos EUA e, de certa forma, no mundo. O filme foi feito com duzentos mil dólares emprestados pelo pai do diretor. Sam se juntou ao seu amigo Bruce Campbell que foi produtor e protagonista. Depois o resto é história. A Morte do Demônio se tornou enorme sucesso envolto em muita polêmica por causa de sua extrema violência e sanguinolência e foi proibido em vários países. Bruce Campbell virou um ícone pop e Sam Raimi se tornou uma grande promessa. Esse filme é outro exemplo de história pífia e realização perfeita: grupo de jovens aluga uma cabana numa floresta para passar o final de semana. Lá encontram o Livro dos Mortos que estava sendo estudado por um cientista. Como todo grupo de jovens de filme de terror eles lêem as inscrições e libertam uma maldição e um a um vão se tornando zumbis. Quanto a Uma Noite Alucinante, o filme não é, propriamente, uma continuação de A Morte do Demônio, mais parecendo um remake com altas doses de paródia. É praticamente a mesma história no entanto misturada com humor pastelão e negro. É antológica a seqüência em que a mão de Bruce Campbell é possuída e começa a atacá-lo como se fosse num filme dos três patetas e ele a corta com um cutelo. O personagem de Bruce virou um tipo de super-herói cult, principalmente quando substitui a mão decepada e coloca no lugar uma Moto-serra. Verdadeiros clássicos do terror moderno.

7 – PELO AMOR E PELA MORTE – filme de Michele Soavi – Hupert Everett protagoniza esse estranho e inusitado filme de terror franco-italiano. Cult pouco conhecido no Brasil foi lançado em vhs por aqui mas é difícil encontrar no mercado. E vale muito a pena ver com destaque especial nessa lista de filme de zumbis. Francesco Dellamorte (Everett) é guarda do cemitério de uma pequena cidade, num momento indeterminado do tempo. Há um mistério naquele local que ninguém consegue explicar, mas que todos parecem aceitar com naturalidade: os mortos voltam à vida sete dias após serem enterrados. São os ossos do ofício de Dellamorte, que se resigna a tratar de filas de zumbis que se dirigem à sua casa (no próprio cemitério) e levam um tiro no centro da cabeça. O herói lamenta o seu destino, e julga-se amaldiçoado, a começar pelo seu nome que parece condicionar seu destino. Preferia chamar-se Francesco Dellamore. O seu ajudante (Lazaro) não é obeso por coincidência; é o seu Sancho Pança, companheiro numa cruzada em que os moinhos de vento são os mortos que se recusam a estar mortos. DellaMorte DellAmore baseia-se numa das mais famosas séries de histórias em quadrinhos italianas, Dylan Dog, “investigador de pesadelos”. A série, da autoria de Tiziano Sclavi, é publicada há mais de uma década. Curiosamente, quando Sclavi foi perguntado como Dylan Dog deveria ser desenhado, ele respondeu “como Rupert Everett”, o que limitou o casting para o filme. Felizmente Everett estava disponível e tem aqui uma grande performance, talvez a melhor de sua carreira. A primeira parte do filme é pura comédia gore, fazendo lembrar Uma Noite Alucinante (Everett até parece Bruce Campbell), mas em determinada altura a melancolia chega, com o surgimento de Anna Falchi, no papel de uma bela viúva. Que morre, mas volta… A atriz encarna duas outras personagens. DellaMorte DellAmore pode-se dividir em três segmentos, cada um com um registo diferente, e cada um com a manifestação de uma presença feminina interpretada pela mesma atriz. Cada mudança de registo parece entrar em conflito com a anterior: primeiramente a ação centra-se na Morte, depois no Amor, e culmina numa sequência quase-metafísica com imagens surreais, caminhando para um fim muito filosófico, que corresponderá à queda de Dellamorte. Mas nada é por acaso. Soavi respeita a estrutura do roteiro, e que se pode reconduzir a uma seqüência de tese/antítese/síntese. Só que o significado final, resultante do confronto entre a tese e a síntese (Morte e Amor, como indica o próprio título), ficará à deriva dentro da cabeça do espectador mesmo depois de abandonar a sala. Filme simplesmente inesquecível.

8 – TODO MUNDO QUASE MORTO – filme de Edgar Wright – Paródia inglesa dos filmes de zumbis americanos. A grande sacada é usar o humor inglês num filme de clichês de mortos vivos. É simplesmente hilariante e uma grande pedida para uma noite com bastante pipoca e uma turma de amigos. Ótimo terrir inglês – destaque para a cena que a abilolada dupla de heróis tentam matar um zumbi com discos de vinil!!!

9 – DEMONS – filme de Lamberto Bava – Um dos mais famosos filmes de horror italiano de todos os tempos, clássico dos splatter movies. No túmulo de Nostradamus, rapazes encontram o fragmento de uma profecia “Eles farão dos cemitérios as suas catedrais, e das cidades os seus túmulos”. Filho do mestre Mario Bava, Lamberto conta já no seu curriculum com um manancial de horrores cinematográficos bem dignos da herança que ostenta. Assistente de realização em várias obras de seu pai, e depois de duas obras menores, emerge em 1985 com o excelente Demoni, uma obra inteiramente rodada numa sala de cinema, onde o filme que está a ser projetado vai ser responsável (com a ajuda de uma máscara demoníaca), pela morte ou “zombificação” de todos os espectadores presentes na sala. No ano seguinte, Lamberto repete a dose com Demoni 2: L’Incubo Ritorna, numa receita similar, mas agora num bloco de apartamentos com altos sistemas de segurança para impedir as vítimas de chegar ao mundo exterior. Filme muito bem realizado – sangrento e gosmento – mas, cheio de um clima extremamente claustofóbico. Na época foi sucesso de bilheteria na Itália e fez um certo burburinho nas salas brasileiras. Vale a pena conferir esse filme e outros do diretor.

10 – A MALDIÇÃO DOS MORTOS-VIVOS – filme de Wes Craven – Baseado no livro A Serpente e o Arco-íris, do etnobotânico e aventureiro Wade Davis, que se dedica à pesquisa de ervas e plantas – descobriu a fórmula da droga que produz a “zumbificação” e a levou aos Estados Unidos para submetê-la a testes. Mas não é apenas isso. É também a história de como Davis penetrou na mística de uma sociedade primitiva, situando a “zumbificação” em seu contexto apropriado, no âmbito da cultura vodu, e acabou por dar-se conta de que a história do vodu é a história do Haiti, desde as origens africanas até os dias de hoje. A abordagem é séria e assustadora. Não existem zumbis como nos filmes de terror, mas sim pessoas zumbificadas por motivos politicos e sociais devido a prática do vodu. A seqüência mais impressionante do filme não tem nada a ver com mortos-vivos – é a sequência de tortura de Wade pela polícia do ditador Baby Doc, vocês nunca mais verão pregos da mesma maneira. O filme é assustador e intrigante até seus quinze minutos finais, mas depois Wes Craven erra a mão.

This entry was published on julho 20, 2010 at 10:21 pm. It’s filed under filmes, revista taturana and tagged , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.